Alexandre Fonseca: “A grande ameaça do setor das telecomunicações em Portugal é a perspetiva regulatória”

“Poderíamos crescer muito mais se não fosse o impacto regulatório”, disse o gestor. Ainda assim, Alexandre Fonseca salientou que os resultados dão “confiança” para os objetivos anuais.

O presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, voltou a apontar baterias à regulação da Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) ao defender que “a grande ameaça do setor das telecomunicações em Portugal é, de facto, a perspetiva regulatória”, num encontro com jornalistas sobre os primeiros dados trimestrais de 2019, esta sexta-feira, 10 de maio. “Poderíamos crescer muito mais se não fosse o impacto regulatório”, acrescentou o gestor afirmando que, ainda assim, os resultados dão “confiança” para os objetivos anuais.

A Altice Portugal cresceu 0,4%, para 509 milhões de euros, no primeiro trimestre de 2019 face ao período homólogo, de acordo com as contas que a empresa divulgadas na quinta-feira – resultados que Alexandre Fonseca disse hoje revelar “um crescimento sustentado”. “Obviamente que as expetativas para são muito boas para o ano de 2019, de crescimento year on year”, acrescentou.

Contudo, o CEO da operadora de telecomunicações não esqueceu os impactos que medidas regulatórias tiveram no exercício trimestral e criticou: “Não deixa de ser estranho que haja medidas regulatórias que recaiam apenas sobre nós”.

No mesmo encontro, o Chief Financial Officer (CFO) da Altice Portugal, Alexandre Matos, acrescentou que “há impactos [regulatórios] significativos de alguns milhões de euros nas receitas” da empresa.

Decisão sobre fibra ótica só no fim do primeiro semestre
Questionado sobre o momento atual da negociação da venda de parte do negócio de fibra ótica da Meo, detida Altice Portugal, Alexandre Matos apenas afirmou que qualquer decisão dependerá do formato da transação e do investidor, “se é um fundo de infraestruturas ou se é outra entidade”.

A Altice Portugal já tinha feito saber que qualquer decisão negocial só será tomada no final do primeiro semestre. Hoje, o CFO da telecom disse que “todas as hipóteses estão em aberto” e que “há uma quantidade razoável” de interessados e que os contactos ocorridos partiram de consórcios internacionais.

Mas, de acordo como o Jornal Económico tinha noticiado na sua edição de 26 abril, há para já três interessados. A espanhola Cellnex e a operadora nacional de rede de fibra ótica, DST, em parceria com o fundo de infraestruturas Cube, estão entre os candidatos à compra da rede fibra ótica da Meo. Há ainda um terceiro fundo de infraestruturas internacional na corrida, que não está identificado. As propostas não vinculativas foram apresentadas em abril e os interessados esperam passar à segunda fase de apresentação de propostas vinculativas, o que deverá acontecer até ao fim deste mês de maio.

Alexandre Fonseca: “A grande ameaça do setor das telecomunicações em Portugal é a perspetiva regulatória” was last updated Maio 22nd, 2019 by APWPortugal
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